sábado, 17 de maio de 2014

CARIDADE QUE NÃO É CARIDADE... é HIPOCRISIA

CARIDADE QUE NÃO É CARIDADE


 

O carnaval acabou! É hora de levar a vida mais a sério! A quaresma, com seus dias de jejum, abstinência das carnes e distribuição de esmolas, é tempo.de refleo sobre a vida passageira e exercio de desprendimento dos bens materiais descartados pela morte.

Este ano, a Arquidiocese do Rio de Janeiro vai concentrar-se no exercício da caridade: Ano da Caridade!

A escolha não foi das mais apropriadas. Estamos atolados em dívidas remanescentes do encontro mundial da juventude e outros eventos altamente dispendiosos. A principal obrigação deste ano é pagar a quem se deve ... e isso não se chama caridade.

O exemplo que de cima nos vem, com exceção do Papa Francisco, não ajuda a definir com precisão o que é mesmo a verdadeira caridade. Vamos ter que recorrer ao Evangelho:

- Se a vossa caridade não for maior que a dos escribas e fariseus não entrareis no reino do Céus. (conf. Mat. 5,20)

Jesus criticou duramente a justiça dos escribas e fariseus, mesmo eles não fazendo caridade com o dinheiro dos outros. A distribuição das esmolas era precedida de muita publicidade, com toque de trombetas, em praças públicas, com a finalidade de enaltecer o egoísmo do doador ... e não para ajudar os pobres. Vaidade também se opõe à caridade verdadeira. Jesus reprova tal procedimento e aconselha:

- Quando deres esmola não toques trombeta ... e que a tua mão esquerda não saiba o que fez a mão direita (conf. Mat 6,2-3).

Talvez, por medo de serem repreendidos, os evanlicos não estejam preocupados em fazer caridade! Nem a vestir-se de cinzas! Não jejuam nem fazem abstinência! Talvez para eles o Reino do Céu já esteja garantido. Pelos programas de televisão, vê-se claramente que os pastores repassam inteiramente para Deus o dever de ajudar quem precisa e de restaurar na terra o reino da prosperidade para quem paga 10% do salário bruto: carro novo, apartamento de luxo, novas firmas e negócios altamente rentáveis ... tudo é Deus quem dá. A maioria dos pastores não têm em suas igrejas obras sociais, o que é uma pena... porque os pobres, os órfãos e as viúvas do tempo de Cristo ainda perduram. Se os dízimos são importantes para sustento das igrejas, a caridade, a justiça, a misericórdia, a fidelidade, só não são mais para quem é cego:

- Mat. 23,23. “Ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Deveríeis praticar isto, sem deixar aquilo. 24. Guias cegos! Coais um mosquito mas engolis um camelo”.

O que fazer neste Ano da Caridade? Cristo diz que a vaidade e o orgulho se opõem à caridade; o Apóstolo Paulo afirma que, sem amor, de nada adianta distribuir todos os bens pelos pobres; meus pais falam que não se faz caridade com o dinheiro dos outros. Mas será que o dinheiro, ou um pedo de pão, é indispensável para exercermos a verdadeira caridade? Recordo aquele pobrezinho que esmolava na porta da igreja e que, ao ser repreendido pelo pároco, respondeu:

- "Não precisa dar-me dinheiro, dê-me antes um sorriso seu".

Não consta na Bíblia que Cristo fizesse caridade doando esmolas, gratificações, passagens, refeições; tenha arrumado empregos ou criado creches, asilos e hospitais; não consta na Bíblia que Cristo recebesse, ou mandasse receber, zimos ou doações de seus seguidores; não consta na Bíblia uma fotografia de Cristo vestido de rei, mas consta a de Cristo despido da sua única túnica ... pois toda a vida de Cristo é caridade pura do princípio ao fim: passou a vida fazendo o bem, com amor, e, se isso o bastasse, deu a vida para a Redeão de toda humanidade.

Podemos concluir que o ano da caridade tem mais sentido quando ninguém tem dinheiro para dar.

Assim não incorreremos na tentação do filho pródigo que "torrou" o dinheiro do pai, nem cairemos na tentação oposta do jovem rico que não abriu mão dos bens que tinha nem para ganhar o Reino do Céu ... mas faz parte das obras de misericórdia: consolar os tristes, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram ...

A verdadeira caridade, que o Mestre propõe, consiste em multiplicar os talentos que Deus dá a cada um para melhor servir o próximo, sem distinção, e com amor; não prometer o que não se tem para dar, nem alimentar ilusões com promessas falsas; não desperdiçar dinheiro com vestes luxuosas, passeios desnecessários, lautos jantares ou jogar comida na lixeira; não colocar fardos nas costas dos outros que não se possam suportar; e ... acima de tudo, manter as portas do coração abertas e acessíveis para acolher a todos com um sorriso.

Quem aparece nos jornais fazendo pose de “homem da caridade”, já recebeu a recompensa dos homens!

Ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade (inclui: justiça, misericórdia, amor), nada disso me aproveita. (Cor. 13,3)

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