quinta-feira, 22 de maio de 2014

O PAPA FRANCISCO E A COMUNHÃO


O PAPA FRANCISCO E A COMUNHÃO


 Deus é Grande. Só poderia começar a abordar o tema da comunhão, que significa “união de todos ou comum união” com as palavras que meus pais me batizaram: Deus é Grande. Posso dizer com o salmista:  “Afugentais da minha presença os meus   inimigos e reduzis ao silêncio os que me aborrecem. Sal 18:40”.

O Papa Francisco falou: Há costumes antigos que podem até ser belos, mas que agora não prestam o mesmo serviço à transmissão do Evangelho. Não tenhamos medo de os rever! (n. 46).

As críticas de “fieis”, de alguns padres e bispos, com ameaças de me denunciar à Defensoria da Fé, presidia pelo então Cardeal Ratzinger, começou no dia em que conclui, ao fazer uma análise de mim mesmo, que a comunhão é o maior presente que Deus Pai tem para me dar, que não é para quem merece, para quem não tem pecados, mas para quem precisa e tem fé nas palavras da consagração da missa que dizem: “Tomai todos e bebei (comei)...para remissão dos pecados”.

Talvez com medo que se divulgasse uma teoria contrária -  aquela que vinha metendo medo às crianças dizendo-lhes que se a hóstia tocasse nos dentes saia sangue, que se comungassem sem confessar todos os pecados, abrir-se-ia à sua frente um buraco e cairiam numa fogueira, que se faltassem à missa ao domingo iriam para o inferno... e tantas outros medos, como se Deus não fosse Pai - surgiu um decreto diocesano para ser lido em todas as igrejas antes da distribuição da sagrada comunhão: “Só pode comungar quem estiver devidamente preparado por confissão auricular há menos de um mês”.

Resultado: os fiéis, na dúvida não comungavam, e o pecador mais aventureiro chegava a ser retirado da fila da comunhão, porque algum ministro da eucaristia, que pensava conhecer sua vida privada, se arvorava em juiz e o retirava, contrariando o próprio São Tomás de Aquino. O medo do escândalo passou até a afetar os confessores que, mesmo absolvendo os pecados, chegavam a aconselhar o penitente a comungar fora da sua terra, como acontecia com os casados no civil que viviam “como irmãos” porque, de outra forma, teriam que revelar segredo de confissão para que os “beatos de igreja” permitissem se aproximar da comunhão. Anoto que a culpa deve ser imputada aos formadores que criaram essas consciências escrupulosas, e não aos fiéis, e agora para mudar os velhos costumes... só o Papa Francisco.

“Senhor eu não sou digno” sempre direi, mas tenho certeza que, ao dizer “mas dizei uma só palavra”, esta palavra é: “sim, meu filho, não só vou te perdoar, como vou te curar, vou te alimentar... e tu terás a força que precisas para diminuir os teus pecados”.

Sei que as coisas ditas, e escritas, por mim não foram valorizadas, mas, ao menos, espero que atendam ao que diz o Papa Francisco que está com o poder das chaves na mão:

“43. No seu constante discernimento, a Igreja pode chegar também a reconhecer costumes próprios não diretamente ligados ao núcleo do Evangelho, alguns muito radicados no curso da história, que hoje já não são interpretados da mesma maneira e cuja mensagem habitualmente não é percebida de modo adequado. Podem até ser belos, mas agora não prestam o mesmo serviço à transmissão do Evangelho. Não tenhamos medo de os rever! Da mesma forma, há normas ou preceitos eclesiais que podem ter sido muito eficazes noutras épocas, mas já não têm a mesma força educativa como canais de vida. São Tomás de Aquino sublinhava que os preceitos dados por Cristo e pelos Apóstolos ao povo de Deus «são pouquíssimos».[47] E, citando Santo Agostinho, observava que os preceitos adicionados posteriormente pela Igreja se devem exigir com moderação, «para não tornar pesada a vida aos fiéis» nem transformar a nossa religião numa escravidão, quando «a misericórdia de Deus quis que fosse livre».[48] Esta advertência, feita há vários séculos, tem uma atualidade tremenda. Deveria ser um dos critérios a considerar, quando se pensa numa reforma da Igreja e da sua pregação que permita realmente chegar a todos.

44. Aliás, tanto os Pastores como todos os fiéis que acompanham os seus irmãos na fé ou num caminho de abertura a Deus não podem esquecer aquilo que ensina, com muita clareza, o Catecismo da Igreja Católica: «A imputabilidade e responsabilidade dum ato podem ser diminuídas, e até anuladas, pela ignorância, a inadvertência, a violência, o medo, os hábitos, as afeições desordenadas e outros fatores psíquicos ou sociais».[49]

Portanto, sem diminuir o valor do ideal evangélico, é preciso acompanhar, com misericórdia e paciência, as possíveis etapas de crescimento das pessoas, que se vão construindo dia após dia.[50]. Um pequeno passo, no meio de grandes limitações humanas, pode ser mais agradável a Deus do que a vida externamente correta de quem transcorre os seus dias sem enfrentar sérias dificuldades. A todos deve chegar a consolação e o estímulo do amor salvífico de Deus, que opera misteriosamente em cada pessoa, para além dos seus defeitos e das suas quedas.


46. A Igreja «em saída» é uma Igreja com as portas abertas. Sair em direção aos outros para chegar às periferias humanas não significa correr pelo mundo sem direção nem sentido. Muitas vezes é melhor diminuir o ritmo, pôr de parte a ansiedade para olhar nos olhos e escutar, ou renunciar às urgências para acompanhar quem ficou caído à beira do caminho. Às vezes, é como o pai do filho pródigo, que continua com as portas abertas para, quando este voltar, poder entrar sem dificuldade.

47. A Igreja é chamada a ser sempre a casa aberta do Pai. Um dos sinais concretos desta abertura é ter, por todo o lado, igrejas com as portas abertas. Assim, se alguém quiser seguir uma moção do Espírito e se aproximar à procura de Deus, não esbarrará com a frieza duma porta fechada. Mas há outras portas que também não se devem fechar: todos podem participar de alguma forma na vida eclesial, todos podem fazer parte da comunidade, e nem sequer as portas dos sacramentos se deveriam fechar por uma razão qualquer. Isto vale sobretudo quando se trata daquele sacramento que é a «porta»: o Baptismo.

A Eucaristia, embora constitua a plenitude da vida sacramental, não é um prémio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos.[51] Estas convicções têm também consequências pastorais, que somos chamados a considerar com prudência e audácia. Muitas vezes agimos como controladores da graça e não como facilitadores. Mas a Igreja não é uma alfândega; é a casa paterna, onde há lugar para todos com a sua vida fadigosa.

 Conclusão, aqui os casados em segunda união têm a sua resposta. O meu colega Frei IVO MULLER tentou, nem artigo que escreveu, dar essa mesma resposta que o Papa Francisco acaba de dar... e foi “silenciado”.

No ano da Caridade as nossas esmolas devem contemplar em primeiro lugar as almas necessitadas... e a esmola que resolve o problema da pobreza das almas... é a Comunhão. Comungue, confesse; confesse comungue... mas não amarre uma coisa na outra, nem confunda. Só não deve comungar sem confessar - ou confessar-se na primeira oportunidade de encontrar o seu confessor - quando sentir, você sentir e não os outros, que cometeu um pecado mortal. E lembre-se que pecado mortal é aquele que nos afastamos totalmente de Deus: a morte, lesões graves, estupro, tortura, grandes prejuízos, blasfémias... e quem prejudica, confessando ou não confessando, tem obrigação de ressarcir as pessoas lesadas antes do “juízo final”.

O Papa falou: A Igreja não é uma alfândega. Eu acrescento: A sua consciência, após ser diplomada em curso superior, deve exercer essa função de Chefe de Alfândega de si mesmo.

Leia: EXORTAÇÃO APOSTÓLICA EVANGELII GAUDIUM DO SANTO PADRE FRANCISCO
AO EPISCOPADO, AO CLERO ÀS PESSOAS CONSAGRADAS E AOS FIÉIS LEIGOS
SOBRE O ANÚNCIO DO EVANGELHO NO MUNDO ATUAL.

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