Basta de passeatas pacíficas
Talvez pareça estranho pedir-se o
fim das passeatas pacíficas mesmo que sejam em favor da melhoria de vida, ou da
própria vida, mas no seu bojo carregam, para espanto dos próprios
pacifistas, o desrespeito às autoridades legalmente constituídas, a destruição
do patrimônio público e particular, as lesões corporais de incautos, e, não
raro, a morte de quem nada tem a ver com o assunto! Até o dia de hoje, todas as
passeatas pacíficas acabaram em vandalismo puro. Não existe outra maneira do
povo manifestar o descontentamento a não ser preparando o terreno para os
vândalos agirem livremente destruindo tudo sem dó nem piedade? É muita falta de
bom senso! É muita falta de educação.
Diziam os meus avós que a
educação vem do berço, da igreja e da escola. Nenhuma dessas instituições
funciona hoje de modo satisfatório, basta ver os resultados nas ruas. A
família, originalmente constituída por um homem, uma mulher e um ou mais irmãos
está atravessando uma crise existencial sem precedentes; a igreja já não é mais
uma igreja única, mas uma igreja em cada esquina e cada uma puxando a brasa
para a sua sardinha; a educação pública navegando pelas ruas da amargura com as
escolas caindo aos pedaços, os alunos sem professores há meses, os professores
mendigando as migalhas que caem das mesas dos políticos e, pior que tudo isso,
tendo que obedecer às diretrizes de uma educação sem símbolos religiosos... e
sem Deus. Que se pode esperar de tudo isso? Os homens já estão capacitados para substituir a figura de Deus?!
Escrevemos um soneto, já faz
bastante tempo, em que dizíamos que a progressão aritmética da retirada dos
crucifixos das escolas geraria uma onda geométrica de assaltos e baderna nas
ruas. Infelizmente profetizamos, não demorou a acontecer. Aí está uma geração de vândalos incendiando
ônibus, quebrando casas comerciais e repartições públicas, dando surra até nos
comandantes da polícia militar! E viva a democracia! Será que ainda tem gente
tão inocente que não vê que ao promover uma passeata pacífica colhe mais prejuízos
do que benefícios? Será que são sempre os policiais que extrapolam, que são
violentos? Entrega-se o ouro aos bandidos e ainda se procura justificá-los:
lutam por dias melhores. E os trabalhadores honrados lutam por que?
Sodoma e Gomorra foram destruídas
por muito menos. Já estou começando a acreditar no desabafo de Cristo: quando o
Filho do Homem voltar será que ainda encontrará fé sobre a face da terra? Há
uma esperança no pai de família que se prontifica a ressarcir o dono da
farmácia pelos danos causados pelo filho assaltante, no taxista que devolve
vultosa soma ao passageiro distraído que vive no mundo da lua. São tão poucos os homens honrados que já
viraram notícia preferencial no Jornal Nacional.
Acreditamos que a religião pode
mudar a face da terra. E por que não muda se as igrejas se multiplicam cada vez
mais e os canais de rádio e televisão estão dia e noite ocupados por padres
e pastores? Alguma coisa está errada. Há
que voltar às origens, ao mandato do fundador do Cristianismo aos seus
seguidores: “de graça recebeste, de graça dai”. Está é a lei do novo
testamento. A lei do dízimo é do antigo testamento, está ultrapassada, foi
substituída pela lei do amor, ou, pelo menos, pela lei da caridade. Só o amor, e não o egoísmo, pode reestruturar as famílias, dar um
coração novo às igrejas, reeducar as escolas, acabar com as injustiças, fazer
reinar a ordem social. Passeatas? Nunca
mais.
Mortos, mortos, desenganai estes vivos. Vós, que lutastes duramente para nos deixar um mundo melhor, dizei
a estes vivos que o futuro feliz não se constrói passando por cima de cadáveres, nem de braços cruzados na espera do que cai do céu,
nem criando desculpas para justificar tanto egoísmo, tanta
cegueira humana. Mortos, mortos, falai a estes
vivos que nunca se modificou nada no confronto, nas guerras, nem com pacíficas passeatas. Mortos, abri
os olhos destes pobres inocentes, se os há, que querem mudar o mundo; mostrai-lhes que a mudança começa dentro de cada um, dentro de sua casa, no ceio de sua família, no ambiente de sua escola, no interior de sua igreja... e que, sem bons exemplos dos mais velhos, não haverá mudança de comportamento dos mais novos porque, se as boas palavras comovem, os bons exemplos arrastam.
Queremos mesmo, de coração, modificar
o Brasil? Queremos justiça social? Queremos paz? É na educação e no voto... e não no grito.
- Abílio Vasconcelos
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