quarta-feira, 16 de abril de 2014

OS FILHOS DAS TREVAS são mais espertos


                               Basta de passeatas pacíficas

Talvez pareça estranho pedir-se o fim das passeatas pacíficas mesmo que sejam em favor da melhoria de vida, ou da própria vida, mas no seu bojo carregam, para espanto dos próprios pacifistas, o desrespeito às autoridades legalmente constituídas, a destruição do patrimônio público e particular, as lesões corporais de incautos, e, não raro, a morte de quem nada tem a ver com o assunto! Até o dia de hoje, todas as passeatas pacíficas acabaram em vandalismo puro. Não existe outra maneira do povo manifestar o descontentamento a não ser preparando o terreno para os vândalos agirem livremente destruindo tudo sem dó nem piedade? É muita falta de bom senso! É muita falta de educação.

Diziam os meus avós que a educação vem do berço, da igreja e da escola. Nenhuma dessas instituições funciona hoje de modo satisfatório, basta ver os resultados nas ruas. A família, originalmente constituída por um homem, uma mulher e um ou mais irmãos está atravessando uma crise existencial sem precedentes; a igreja já não é mais uma igreja única, mas uma igreja em cada esquina e cada uma puxando a brasa para a sua sardinha; a educação pública navegando pelas ruas da amargura com as escolas caindo aos pedaços, os alunos sem professores há meses, os professores mendigando as migalhas que caem das mesas dos políticos e, pior que tudo isso, tendo que obedecer às diretrizes de uma educação sem símbolos religiosos... e sem Deus. Que se pode esperar de tudo isso?   Os homens já estão capacitados para substituir a figura de Deus?!

Escrevemos um soneto, já faz bastante tempo, em que dizíamos que a progressão aritmética da retirada dos crucifixos das escolas geraria uma onda geométrica de assaltos e baderna nas ruas. Infelizmente profetizamos, não demorou a acontecer. Aí está uma geração de vândalos incendiando ônibus, quebrando casas comerciais e repartições públicas, dando surra até nos comandantes da polícia militar! E viva a democracia! Será que ainda tem gente tão inocente que não vê que ao promover uma passeata pacífica colhe mais prejuízos do que benefícios? Será que são sempre os policiais que extrapolam, que são violentos? Entrega-se o ouro aos bandidos e ainda se procura justificá-los: lutam por dias melhores. E os trabalhadores honrados lutam por que?

Sodoma e Gomorra foram destruídas por muito menos. Já estou começando a acreditar no desabafo de Cristo: quando o Filho do Homem voltar será que ainda encontrará fé sobre a face da terra? Há uma esperança no pai de família que se prontifica a ressarcir o dono da farmácia pelos danos causados pelo filho assaltante, no taxista que devolve vultosa soma ao passageiro distraído que vive no mundo da lua.  São tão poucos os homens honrados que já viraram notícia preferencial no Jornal Nacional.

Acreditamos que a religião pode mudar a face da terra. E por que não muda se as igrejas se multiplicam cada vez mais e os canais de rádio e televisão estão dia e noite ocupados por padres e pastores? Alguma coisa está errada.  Há que voltar às origens, ao mandato do fundador do Cristianismo aos seus seguidores: “de graça recebeste, de graça dai”. Está é a lei do novo testamento. A lei do dízimo é do antigo testamento, está ultrapassada, foi substituída pela lei do amor, ou, pelo menos, pela lei da caridade.  Só o amor, e não o egoísmo,  pode reestruturar as famílias, dar um coração novo às igrejas, reeducar as escolas, acabar com as injustiças, fazer reinar a ordem social. Passeatas?  Nunca mais.

Mortos, mortos, desenganai estes vivos. Vós, que lutastes duramente para nos deixar um mundo melhor, dizei a estes vivos que o futuro feliz não se constrói passando por cima de cadáveres, nem de braços cruzados na espera do que cai do céu, nem criando desculpas para justificar tanto egoísmo, tanta cegueira humana. Mortos, mortos, falai a estes vivos que nunca se modificou nada no confronto, nas guerras,  nem com pacíficas passeatas. Mortos, abri os olhos destes pobres inocentes, se os há, que querem mudar o mundo; mostrai-lhes que a mudança começa dentro de cada um, dentro de sua casa, no ceio de sua família, no ambiente de sua escola, no interior de sua igreja... e que, sem bons exemplos dos mais velhos, não haverá mudança de comportamento dos mais novos porque, se as boas palavras comovem, os bons exemplos arrastam.
 
Queremos mesmo, de coração, modificar o Brasil? Queremos justiça social? Queremos paz? É na educação e no voto... e não no grito.
- Abílio Vasconcelos

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